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Felipe Cirelli
Não bastava apenas criar
uma nova campanha para um novo cliente. Era preciso entender,
sobretudo, o cliente do cliente, o consumidor final para o qual
seria voltado todo um grande esforço de comunicação.
Na carteira da NBS desde fevereiro deste ano, a rede de lojas
de roupa Eskala foi a principal entusiasta pela iniciativa da
agência de ir a fundo no consumidor com o qual ela estaria
conversando: as classes C-, D e E. Foi daí que surgiu um
estudo sobre o poder de compra dessa faixa da população,
que movimenta cerca de R$ 512 bilhões anualmente, segundo
o IBGE.
A pesquisa da NBS apurou os costumes,
a personalidade, os gostos e a forma de comprar da camada da população
que possui uma renda mensal de até R$ 1.000 (por família),
moradora das periferias paulistas, representando as 32 milhões
de casas e um total de 120 milhões de brasileiros nessa
condição financeira.
Para tanto, a equipe da agência,
comandada pela diretora de planejamento Gisela Toledo, freqüentou
a rotina e os ambientes das classes estudada pelo período
de seis meses, a fim de traduzir as constatações
e os resultados em campanhas vitoriosas para o seu cliente.
Entre os pontos-chave do estudo
está a exigência desse consumidor, que, ao contrário
do que preconceituosamente é apregoado, não aceita
qualquer coisa, mas estão preocupados com qualidade e,
maiormente, com a identidade do produto em relação
à sua “comunidade”, como Toledo destacou na
apresentação do trabalho. “A palavra ‘comunidade’
é um termo muito forte para eles, os quais se identificam
por meio delas. Eles se sentem protegidos da violência urbana
que os rodeiam, sobretudo os freqüentadores das igrejas evangélicas,
muito mais comuns nessas classes”, aponta a diretora da
NBS.
Quanto à fidelidade às
marcas, Toledo constatou que eles são, sim, leais, porém,
nem sempre um rostinho conhecido da novela das oito vai fazer
com que o consumidor se prenda a uma empresa. “Ele não
quer mais ser parecido com alguém da TV, mas orgulha-se
da sua posição e faz questão de que todos
saibam disso. Pichações e cartazes do tipo ‘100%
periferia’ e ‘perifa na veia’ são muito
vistos nesses locais”, lembra.
A pesquisa também revelou
que, apesar do crédito em forma de carnê ou boleto
ser a forma de pagamento mais utilizada pelas classes C-, D e
E, a famosa ‘continha no mercado da esquina’ permanece
em alta entre a faixa estudada. Segundo Toledo, o fator fundamental
para isso é a possibilidade de comprar o que quiser e quando
quiser, sem a frustração de se sentir excluída
por não poder adquirir tal produto.
No ranking dos meios de comunicação
que mais se fazem presentes no universo dessa população
estão as TVs, com 97% de share; o rádio FM, com
70%; o AM, com 43%; e as revistas, com 34%. “A TV ainda
é uma formadora de opinião muito grande, até
porque, cada vez mais, fala a língua deles. As periferias
são retratadas fortemente na mídia, a qual se rende
ao poder das classes de baixa de renda”, explica.
De forma objetiva, o estudo in
loco trouxe frutos apetitosos tanto para a agência quanto
para a Eskala, que pôde constatar aumento nas suas vendas
a partir das quatro campanhas feitas pela agência desde
que conquistou a conta. Toledo toma como exemplo as ações
de Dia das Mães e Dia dos Pais, que resultaram em um aumento
de 15% nas vendas da empresa. “Para o Dia dos Pais, por
exemplo, percebemos que raramente eles demonstravam afeto e carinho
para com os filhos, mas que nas rodas de amigos contavam com o
maior orgulho os feitos de suas crias. Daí optamos por
algo que pudesse ‘derretê-los’, como uma manteiga”,
conta.
A Eskala foi inaugurada em 1974,
no bairro da Lapa, em São Paulo. Hoje, a empresa conta
com 29 lojas espalhadas por diversos bairros de São Paulo,
além de cidades do interior do Estado. Em Minas Gerais,
a marca está presente em Belo Horizonte. A NBS é
a primeira agência de propaganda da empresa, que comemora
o fato de ter crescido 30% nos últimos três meses.

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